Desistência de chefe de André no RJ deixa pré-candidatura do sergipano sob tensão

Nos últimos dois anos, o ex-deputado federal André Moura (União Brasil) encontrou no Rio de Janeiro uma espécie de segunda vida política. Longe de Sergipe, mas próximo do então governador Cláudio Castro (PL), André assumiu uma das posições mais estratégicas da administração fluminense como Secretário de Governo e passou a vender a imagem de um articulador influente, com trânsito em Brasília e prestígio suficiente para voltar ao jogo eleitoral em 2026.
O problema é que o chão começou a ceder sob os pés de Castro...
Não é preciso conjecturar muito para perceber que o presidente do União Brasil em Sergipe vem sendo pressionado pelo avanço das investigações que atingem seu grupo político no Rio e pelo desgaste provocado pelo escândalo envolvendo o Banco Master, que também tem chegado ao Palácio Guanabara.
Sem explicar muito, o “ex-chefe” de André abandonou o projeto de disputar o Senado, em um movimento político forçado pelas circunstâncias do momento. Carecendo de forças para sustentar a candidatura que parecia certa, Castro deixou de priorizar o avanço nas casas do tabuleiro do jogo político e passou a tentar sobreviver.
No caso de André Moura, a candidatura permanece de pé, mas passou a caminhar sobre um terreno muito mais instável.
Até ontem, ocupar a Secretaria de Governo do Rio se mostrava um ativo para o ex-deputado, servindo como demonstração de força, influência e proximidade com um dos governadores mais poderosos do país. Hoje, a associação produz efeito inverso.
Por mais que a memória eleitoral em Sergipe seja curta, Moura vinha trabalhando para transformar a eleição de 2026 em uma narrativa de retorno. Depois da derrota para o Senado em 2018 e da impossibilidade de disputar o pleito de 2022, o ex-deputado buscava reaparecer como um político fortalecido e conectado aos centros de poder (vale lembrar que foi no colo dele quem caiu a liderança do Governo Temer no Congresso Nacional, posição que o catapultou em Brasília).
Ainda é prematuro afirmar que os problemas de Cláudio Castro produzirão efeitos eleitorais concretos em Sergipe. Porém, a política costuma funcionar por percepção antes de funcionar por fatos.
A tensão que tomou conta da campanha de André é visível, com o principal ambiente de poder ao qual o ex-prefeito de Pirambu esteve associado nos últimos anos deixando de transmitir força e passando a inspirar cautela.
Para quem tenta ganhar o Senado, não é exatamente o cenário ideal. E André pode ter que começar a campanha de fato precisando mais explicar do que propor.
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